

Brasil, anos 60. Família Pretende acordada desde as 6h da manhã, como era de costume. Porém, desde as 5h15min Mr. Angel Freedom, por causa dos pingos de uma goteira do furado e velho telhado, acordou. Era finalzinho de inverno, a estação mais temida pela família. Todos reunidos para o simples café da manhã que Ana, na sua fase de crescimento, tomava. Pão, café puro ou leite, e quando estava no começo do mês margarina sem sal. Cada um tomava o seu rumo: Mr. Freedom ia trabalhar Ana estudar, Pedro Brotherhood dormir e Elizabeth Equality coser. “O carro chegou Mr. Antony Poor!”, disse a senhora Poor, se olhando no espelho de dois mil cruzados, só fazia isso. Mr. Poor era um homem na sua melhor idade, na faixa de quarenta e cinco anos. Casara com Julie Clever há vinte anos, ela com quinze e ele rico e nem um pouco bonito, ao contrário da bela e nem um pouco inteligente Mrs. Clever. Tiveram três filhas: Marie, Julie e Rachel. Esta puxara ao pai, feia e louca por dinheiro trabalhava com ele na empresa como diretora geral de finanças; Marie, aos quinze anos já estava grávida de um senhor de cinquenta anos muito rico e gordo; e a doce e inteligente Julie diferente de todas e de todos. Diferentemente da maioria das garotas na idade de Ana, ela temia os seus quinze anos que estavam prestes a chegar, temia que seu pai a prometesse a algum velho com sede de menininhas, isso a perturbava muito, porém tinha alguém que a deixava em paz: a senhorita Julie, ela ficava encantada com sua delicadeza e inteligência. Elas se entendiam muito bem. Sábado à noite, aniversário de Ana, Mr. Poor e família foram à casa da família Pretende a convite de Mr. Angel. Quando chegaram, lá estava Ana com um sorriso forçado e melancólico. “Nem parece que é a aniversariante”, disse o tio Mr. Antony. Sim, Mr. Antony e Mr. Angel eram irmãos. A campainha soa, chegam Mr. Dindon e seu filho Richard, que não possuíam nenhuma mansão à beira-mar, porém eram de uma família trabalhadora, educada e decente. Mr. Angel não perdera tempo e logo o apresentou a sua pretendente e futura esposa, a pequena e delicada Ana. Era um rapaz muito gentil, inteligente e bonito, para a alegria de Mr. Angel Freedom e para a tristeza de Ana, que recebia um olhar indiferente e triste de Julie. Juntaram-se os Srs. da casa. Mr. Antony não tardara em repetir os seus discursos machistas e grosseiros, e o Sr. Angel não recusara em reproduzi-los. A senhora Elizabeth, que sentia nas veias, mal podia ir à cidade comprar algo de interesse particular ou fazer algum tipo de amizade com as “fêmeas”, como especificava Mr. Antony. Ana era a frente do seu tempo, odiava essas ideias sem razão do pai e temia com todas as forças as do seu tio, pois seu pai dependia do senhor dono da empresa e não queria -ou não podia- contrariá-lo. Mr. Richard era um rapaz que estava presente nos sonhos de quase todas as garotas, estudava Direito em uma das universidades mais conceituadas do estado do Rio de Janeiro, era de família e além de tudo era lindo, tinha a aparência de um verdadeiro lord. A festa já estava no fim e antes do término, Mr. Angel já marcara o encontro de Ana com Richard, filho honrado e amado de Mr. Dindon -dissera este que aceitaria todas as decisões tomadas pelo filho-. Realmente o encontro aconteceu, mas não como esperado por todos. Richard chamou Julie e Ana convidou Mr. Glaysson, um amigo íntimo que possuía. Mr. Angel, Mr. Dindon e Mr. Poor saíram para um pescaria, e logo o senhor Dindon conseguiu pegar um peixe bonito e grande. As senhoras Dindon e Poor foram ao salão ficar mais bonitas que de costume. Elizabeth ficara em casa cozinhando um peixe fresco que tinha comprado. Só gostava de peixe fresco e seu Angel também. Estava tudo perfeito para o encontro dos casais. Não mediram esforços, estava tudo indo muito bem. Bebida, comida e algumas coisinhas mais. Já se passara duas horas do último e único peixe dessa desastrada pescaria, que deixava Sr Dindon orgulhoso do peixe que pescara e que logo pensava em devorar com suas mãos cansadas. Foram para casa do Sr. Poor, já estava na hora do jantar. Chegam às senhoras Poor e Dindon em casa, não encontrara ninguém, nenhum vestígio de pessoa. Chega a empregada desesperada, o seu horário de serviço já tinha acabado há algumas horas. Disse com ar espantado que o vosso marido estava no hospital. Sra. Poor, sem esperar a coitada terminar de falar, saiu apressada e louca em direção ao hospital. Chegando lá ficou sabendo que o seu marido tinha falecido e que seus amigos de pescaria estavam na UTI. Não tardara a encontrar Julie, Ana e Richard no hospital desolados e com os olhos vermelhos de tanto chorar. Estavam tão abalados que ficaram por um bom tempo sem comentar qualquer coisa que os fizesse lembrá-los. Depois de muito choro e sofrimento, tudo voltou ao normal, ou melhor, nem tudo. A Sra. Elizabeth possuía liberdade que antes não possuía, a senhora Poor ficara ainda mais rica, as visitas de Ana a casa de Julie aumentaram e Richard abandonara o curso de direito para fazer designer de moda como sempre quis. Em uma noite, a já moça Ana foi dormir na casa de Julie, quando já tardava foram todos dormir. A senhora Poor foi até o quarto das meninas e quando chegou até a porta ouviu Ana dizer: “Como a vida é contraditória, pensava eu que o amor era sinônimo de vida e não de morte”. E em seguida foi dormir.
Ana Elisabeth Aragão